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DIVULGADO DEPOIMENTO BOMBÁSTICO DE MORO CONTRA BOLSONARO


O Antagonista teve acesso à íntegra do depoimento de Sergio Moro.
Um dos trechos confirma o que o Antagonista publicou ontem sobre a insistência de Jair Bolsonaro em trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Moro disse que, no começo de março de 2020, estava em Washington, em missão oficial com o então diretor-geral, Maurício Valeixo, quando recebeu uma mensagem de Bolsonaro no WhatsApp.

O presidente queria novamente a “substituição do superintendente do Rio de Janeiro, agora Carlos Henrique”. Segundo Moro, a mensagem tinha, mais ou menos o seguinte teor: “Moro você tem 27 Superintendências, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro.”

Moro afirmou que não nomeou e não era consultado sobre as escolhas dos superintendentes, pois isso cabia ao diretor-geral. E que nem mesmo indicou o superintendente do Paraná. Por isso, os motivos para a troca devem ser indagados ao próprio Bolsonaro.

No depoimento de sábado, Sergio Moro afirmou que tem mensagens no celular que mostram que ele comunicava Jair Bolsonaro sobre “operações sensíveis” da Polícia Federal, “após deflagração”.

Uma das principais queixas de Bolsonaro em relação ao ex-ministro era falta de informações por parte da PF. O presidente disse que queria obter relatórios de inteligência para tomar decisões.

Em seu depoimento, obtido por O Antagonista, Sergio Moro diz que, na reunião ministerial de 22 de abril, Jair Bolsonaro disse que, se não pudesse trocar o superintendente do Rio de Janeiro, trocaria o diretor-geral da Polícia Federal e o ministro da Justiça.

“QUE ressalta que essas reuniões eram gravadas, como regra, e o próprio Presidente, na corrente semana, ameaçou divulgar um vídeo contra o Declarante de uma dessas reuniões; QUE nessas reuniões de conselho de ministros participavam todos os ministros e servidores da assessoria do Planalto.”

Também no depoimento à Polícia Federal no último sábado, Sergio Moro disse que Jair Bolsonaro jamais poderia ter elencado o inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) contra bolsonaristas como motivo para a troca do diretor-geral da PF.

O ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública voltou a mencionar a mensagem enviada a ele por Bolsonaro com um link de uma nota de O Antagonista sobre o tema e o comentário: “Mais um motivo para a troca na PF”.

Moro disse que é preciso perguntar ao próprio presidente da República “os motivos dessa mensagem e o que ele queria dizer”.

Moro também afirmou que Bolsonaro jamais pediria a ele ou a Maurício Valeixo qualquer interferência ou informações desse inquérito, porque sabia que a solicitação não seria atendida.

Sergio Moro disse que Jair Bolsonaro também alegou como motivo da exoneração de Maurício Valeixo uma suposta falta de empenho da corporação na investigação de possíveis mandantes da tentativa de assassinato do presidente da República durante a campanha de 2018.

Moro afirmou à PF que a equipe de Minas Gerais fez “um amplo trabalho de investigação” e o resultado foi apresentado a Bolsonaro ainda no primeiro semestre de 2019, em reunião no Palácio do Planalto, da qual participaram Moro, Valeixo, o superintendente da PF em Minas Gerais e os delegados responsáveis pelo caso.

“Na ocasião”, disse Moro, “o presidente não apresentou qualquer contrariedade em relação ao que lhe foi apresentado”.

O ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública disse à PF que a investigação sobre possíveis mandantes do crime não foi finalizada em razão de decisão judicial contrária ao exame do aparelho celular do advogado de Adélio Bispo de Oliveira.

“O presidente tinha e tem pleno conhecimento desse óbice judicial.”

Antes do final das investigações, acrescentou Moro, não é possível concluir se Adélio agiu ou não sozinho. De todo modo, “ao contrário do que afirmado publicamente pelo presidente da República”, o ex-ministro afirmou nunca ter obstruído essa investigação.

Moro disse ter solicitado à Polícia Federal “o máximo empenho” e informou André Mendonça, então advogado-geral da União, da importância de que “a AGU ingressasse na causa para defender o acesso ao celular, não pelo interesse pessoal do presidente, mas também pelas questões relacionadas à Segurança Nacional”, o que nunca ocorreu.

por oantagonista